terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Cartas a Hermengardo, conto de Clarice Lispector, trecho

"Senta-te. Estende tuas pernas. Fecha os olhos e os ouvidos. Eu nada te direi durante cinco minutos para que possas pensar na Quinta Sinfonia de Beethoven. Vê, e isto será mais perfeito ainda, se consegues não pensar por palavras, mas criar um estado de sentimento. Vê se podes parar todo o turbilhão e deixar uma clareira para a Quinta Sinfonia. É tão bela. Só assim a terás, por meio do silêncio. Compreendes! Se eu a executar para ti, ela se desvanecerá, nota após nota. Mal dada a primeira, ela não mais existirá. E depois da segunda, o segundo não mais ecoará. E o começo será o prelúdio do fim, como em todas as coisas. Se eu a executar ouvirás música e apenas isto. Enquanto que há um meio de detê-la parada e eterna, cada nota como uma estátua dentro de ti mesmo. Não a executes, é o que deves fazer. Não a escutes e a possuirás. Não ames e terás dentro de ti o amor."
Trecho de Cartas a Hermengardo, conto de Clarice Lispector.


© 2014-2018 Helena Frenzel. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons - Atribuição - Sem Derivações - Sem Derivados 2.5 Brasil (CC BY-NC-ND 2.5 BR). Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito à autora original (Para ter acesso a conteúdo atual aconselha-se, ao invés de reproduzir, usar um link para o texto original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Leituras de 2017

Não anotei tudo o que li em 2017, pois o objetivo não é ler para fazer relatórios ao final do ano. O objetivo é ler, mergulhar em cada texto, e compartilhar as leituras com quem pratica leitura coletiva e troca este tipo de informação na rede.

Bom, aqui a listinha de autoras e autores cujos textos a Bluemaedel tranquilamente leu em 2017 :-)






© 2014-2016 Helena Frenzel. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons - Atribuição - Sem Derivações - Sem Derivados 2.5 Brasil (CC BY-NC-ND 2.5 BR). Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito à autora original (Para ter acesso a conteúdo atual aconselha-se, ao invés de reproduzir, usar um link para o texto original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Cobain, contos organizados por Sérgio Tavares

























Reunir músicas como temas para os contos desta coletânea foi uma idéia ótima! Gostei muito da experiência da leitura e da oportunidade de conhecer novos autores e autoras, como a Moema Vilela, por exemplo. O melhor é que a coletânea é gratuita e está disponível na Internet, totalmente legal.


Cobain, 25 contos inspirados em 25 anos do álbum Nevermind + Bonus Tracks, organizado por Sérgio Tavares, 2016, publicação independente.

Participantes: Alessandro Garcia, Alexandre Nobre, Anderson Fonseca, André Tartarin, André Timm, Bruno Liberal, Daniel Osiescki, Débora Ferraz, Delfin, Flávia Iriarte, Flávio Torres, Helena Terra, João Vereza, Maikel de Abreu, Mariel Reis, Marcia Barbieri, Mário Araújo, Maurício de Almeida, Moema Vilela, Paulinho Júnior, Patrícia Galelli, Rafael Mendes, Rafael Sperling, Sérgio Tavares e Tiago Velasco.



Campanha Ano Novo com Autores Nacionais


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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Elegias do país do Sanhauá, Joedson Adriano

Para mim, literatura boa é aquela que nos sacode de alguma maneira, seja por meio de um certo estranhamento ao tema, à proposta estética, à linguagem, às personagens ou tudo isso junto.

Na primeira leitura que fiz deste texto, que o narrador muito bem define como uma "ateologia poética" (p. 75), tive certeza de que estava diante de algo valioso tanto por conta da linguagem, que mescla o cotidiano profano ao sagrado bíblico e o clássico lírico à fala das ruas, como por conta do estranhamento que o texto pode causar diante de um narrador que se expõe sem maquiagem e que critica práticas que inibem as pessoas de dizerem o que realmente pensam sobre determinados assuntos.

O texto deste livro traz um tipo de canção do exílio. Exílio tanto no espaço, já que o narrador encontra-se longe de sua terra, o país do Sanhauá, quanto no tempo, já que o lamento é pela nostalgia do passado mas também pelas angústias do contemporâneo, pela dificuldade de compreender o presente e seus novos requisitos e valores. 

De todos os modos, trata-se de uma crônica em versos com as recordações de um lugar que, muito provavelmente, já não exista como nos conta o narrador, mas que retrata a realidade de muitos lugares no Brasil e no mundo. O país do Sanhauá é um lugar de pobreza, machismo, homofobia, selvageria, brutalidade, mas também é um lugar em que vivem ou viveram pessoas, e essas pessoas e suas mentalidades é o que este texto nos apresenta em sua nua humanidade e, o que é melhor: faz isto a partir do ponto de vista de alguém que está ou esteve inserido neste ambiente, o que, com certeza, faz toda a diferença no texto. E exatamente por isso o narrador não pôde maquiar-se, por mais cruel que seja a sua realidade ele estabeleceu um pacto de fidelidade com ela, e como fruto dela ele apresentou-se, e de modo bastante coerente.

O texto é, a meu ver, uma forma de homenagem às pessoas do país do Sanhauá, pessoas que habitam as margens e o esquecimento, mas que constroem o países, e não é à toa que a canção começa falando do pedreiro, que não é, mas bem poderia ser, o Pedro Pedreiro, que Chico Buarque já cantou.

Enfim: trata-se de um texto riquíssimo em vários aspectos, um texto que incomoda e faz pensar. O narrador, por exemplo, ou o eu-poético da composição, consegue ao mesmo tempo ser um misto de subversão e conservadorismo, o que faz dele um tipo muito humano aliás. 

Sem dúvidas, este texto é um ótimo representante do tipo de literatura que vem sendo produzida no Brasil contemporâneo e que opta por estar fora dos circuitos tradicionais. 

Elegias do país do Sanhauá, Joedson Adriano, editora Moinhos, 2017.



Um trechinho, para degustar:

"não há mais espaço pros selvagens
no mais alto nível que não está mais aqui
e até o mais baixo se rebaixa à higiene
a Europa afeminada pelo socialismo
pela falta do deus dos exércitos e pelo medo da guerra
transformou o jogo num totó
tudo tão limpo que nem dá gosto
sem dribles de gênio nem confusão de genioso
se come caranguejo com garfo e faca" (pp. 23f.)





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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Onkel Flores, Eymard Toledo






















A minha versão deste livro está em alemão, mas a história é brasileira e a autora também. O livro é lindo, tanto o texto quanto as ilustrações, que são da própria autora. Procure a tradução em português, ou o original. Uma história inspiradora, instrutiva e emocionante!

Tio Flores: uma História às Margens do Rio São Francisco, Eymard Toledo.

Onkel Flores: Eine ziemlich wahre Geschichte aus Brasilien, Eymard Toledo, editora Baobah.


Campanha Natal com Autores Nacionais


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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Teias, Tanussi Cardoso

























Já dei uma amostra da poesia deste livro aqui. Volto a falar nele porque, como sempre digo, coisas boas se recomenda ad infinitum.

Teias, Tanussi Cardoso, editora Costelas Felinas. 


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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Dança dos Dísticos, Carvalho Junior


























Já falei sobre este livro aqui. Volto a falar porque coisas boas não me canso de recomendar.

Dança dos Dísticos, Carvalho Junior, editora Patuá, publicação independente.

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